01 jun 2020

BNDES prevê privatizar CEEE-D e CEB em 2020 Expectativa é realizar os leilões no quarto trimestre, mas tudo depende da recuperação da economia

Fonte.:  Valor Econômico / Por Taís Hirata — De São Paulo

Mesmo em meio à pandemia, o BNDES acredita ser viável realizar ainda em 2020 ao menos dois leilões de distribuidoras de energia: a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE-D), do Rio Grande do Sul, e a Companhia Energética de Brasília (CEB), segundo Leonardo Cabral, diretor de privatizações do banco de fomento.

Os estudos para as duas desestatizações estão em fase final e, em seguida, seguirão para aprovação dos governos estaduais. A projeção é fazer as concorrências no quarto trimestre – obviamente, se houver condições de mercado, diz ele.

“São ativos estratégicos e com perspectiva de maturação de longo prazo. Acredito que haverá interesse de diferentes investidores, sejam estratégicos, sejam financeiros”, afirma.

A carteira de privatizações do BNDES – que não engloba projetos de concessões, apenas de venda de estatais – inclui ainda outros seis companhias estaduais.

Na área de energia elétrica, há planos de leiloar também a CEEEGT, braço de geração e transmissão da companhia gaúcha.

Cada divisão, porém, será vendida separadamente, após a constatação de que atrairiam perfis diferentes de investidores – os ativos de geração da CEEE formam um pacote relativamente pequeno, enquanto o braço de transmissão é um dos maiores do país. Como houve necessidade de uma cisão, o processo evoluiu mais lentamente em relação ao da distribuidora, e por isso deverá ocorrer apenas em 2021.

No setor de gás natural, há duas privatizações previstas no pacote do banco: a MSGás, do Mato Grosso do Sul, e a Sulgás, também do Rio Grande do Sul.

Para completar, foi incluída na carteira, na última semana, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o único ativo de saneamento alocado na diretoria de privatizações – as demais estatais do setor foram estruturadas pela diretoria de concessões e Parcerias Público Privadas (PPPs) do banco.

“A Copasa, por ser uma empresa de capital aberto, acabou ficando nesta diretoria, após uma análise preliminar”, diz Cabral. A avaliação, porém, é inicial, e os estudos técnicos deverão comparar diferentes modelagens. Ainda não há um cronograma para o processo da companhia mineira.

Para o diretor, há uma facilidade maior na privatização de distribuidoras de energia – setor no qual o banco já tem grande experiência, após a sequência de leilões de distribuidoras que eram da Eletrobras.

“O setor de energia é regulado há mais tempo, tem modelagem mais fácil em comparação com os demais. Agora, setores que dependem a aprovação de novos marcos regulatórios, como saneamento e gás, são mais complexos na estruturação”, afirma.

Além dos oito projetos em estudo, Cabral afirma que há conversas para a inclusão de outras duas companhias estaduais. “A procura de Estados por privatizações já estava em alta antes da crise. Agora, esse movimento pode até se acelerar”, avalia.

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