17 fev 2021

Concessionária da usina Jirau inicia reestruturação

Controlada pelo grupo Engie, a Energia Sustentável do Brasil, concessionária da hidrelétrica, passa a se chamar Jirau Energia

Fonte.: Valor Econômico / Gabriela Ruddy — Do Rio

A Energia Sustentável do Brasil (ESBR), concessionária da usina hidrelétrica de Jirau, iniciou uma reestruturação que inclui a alteração do nome da empresa, que passa agora a se chamar Jirau Energia.

Responsável pela usina hidrelétrica de maior disponibilidade no fornecimento ao Operador do Sistema Nacional (ONS), com um percentual que chega a 99,22%, a companhia busca reduzir custos e aumentar a eficiência do projeto.

Localizada no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), Jirau é a quarta maior hidrelétrica do país, com 3,75 gigawatts (GW) de capacidade instalada. “Revisamos estruturas e estratégias de operação e manutenção, em busca de eficiência e otimização de custos. Nesse processo de transição queremos o reequilíbrio econômico-financeiro da operação. Jirau teve dificuldades importantes”, diz o presidente da Jirau Energia, Edson Silva.

A hidrelétrica foi alvo de polêmicas na década passada. Protestos durante sua construção, devido aos impactos socioambientais da inundação da barragem, atrasaram as obras, que acabaram custando mais que o dobro dos R$ 9 bilhões inicialmente previstos. A hidrelétrica entrou em operação em 2013 e foi um dos maiores projetos de energia do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Jirau Energia busca agora a renegociação dos pagamentos de dívidas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao todo, a concessionária recebeu R$ 9,4 bilhões do banco. Também há expectativa de redução da tarifa paga para transmissão da energia (TUST) da unidade. De acordo com o presidente da companhia, há conversas em curso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para cortar em até 30% a TUST, que atualmente está R$ 1 bilhão por ano.

A expectativa é ter a nova tarifa no segundo semestre de 2022. Desde o final de 2019 a empresa também começou a comprar energia no mercado de curto prazo para proteger sua exposição a crises hídricas e mitigar riscos. Em paralelo, a companhia conduz projetos de pesquisa e desenvolvimento para entender melhor o comportamento do Rio Madeira. Entre as iniciativas em análise para aumento da eficiência da operação está a possibilidade de instalação de placas fotovoltaicas na barragem, além da utilização dos

troncos de árvores que passam pelo rio para geração de energia a biomassa. A ideia é aproveitar fontes renováveis para suprir o consumo de eletricidade das próprias operações da hidrelétrica. “Temos um consumo interno alto para movimentar bombas e ventiladores da usina, por exemplo”, diz o presidente.

A Jirau Energia é um consórcio formado entre a Engie Brasil Participações – controladora da Engie Brasil Energia (EBE) -, Chesf, Eletrobras e Mitsui. Recentemente, o presidente da EBE, Eduardo Sattamini, afirmou que a companhia pode avaliar a incorporação ao seu portfólio da participação de sua controladora no projeto no futuro.

Segundo Sattamini, a avaliação será feita “como se fosse a aquisição de um projeto de terceiros” e vai considerar a situação financeira e questões ambientais do projeto.

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