30 jun 2020

EDP busca reverter danos da crise e mira novas oportunidades Na visão da companhia, impactos da crise na redução de mercado e na inadimplência não se mostraram tão severos quanto se esperava

Fonte.: Valor Econômico / Letícia Fucuchima — De São Paulo

 Após o susto inicial provocado pela pandemia, que levou a empresa a tomar uma série de medidas para proteger o caixa, a EDP Brasil entrou numa fase “moderadamente otimista”. A avaliação é de que os impactos da crise ao setor elétrico, como a redução de mercado e o aumento da inadimplência, levarão inevitavelmente a uma piora dos resultados no segundo trimestre, mas foram menos severos do que se antecipava.

“Num primeiro momento, tivemos cautela e nos retraímos, mas agora estamos num momento moderadamente otimista. Temos os pés no chão e vamos tentar aproveitar algumas oportunidades”, afirmou Miguel Setas, presidente da companhia, em conversa com o Valor.

Para fazer frente à crise, a EDP realizou um reforço de caixa de cerca de R$ 3 bilhões, através de captações, redução de custos e investimentos, corte de dividendos e cancelamento de negócios em andamento, como a aquisição de uma linha de transmissão. Segundo Setas, as ações prepararam a empresa para “o pior dos cenários”, mas a realidade trouxe índices relativamente melhores do que se previa inicialmente.

O executivo não comenta números específicos das duas distribuidoras de energia da EDP, mas a tendência de melhora, ainda que não totalmente consolidada, pode ser observada em dados de mercado. Do lado do consumo de energia, o acompanhamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostrou que as quedas mensais têm diminuído de intensidade, atingindo 6% em junho (no acumulado até o dia 19), após terem alcançado índices negativos de 12,1% e 10,9% nos meses de abril e maio, respectivamente. Já a inadimplência de curto prazo evoluiu para quase 6% em março, atingiu o pico de 10,2% em abril, caiu para 4,6% em maio, e encontra-se em 0,95% em junho, diz o monitoramento do Ministério de Minas e Energia.

O presidente da EDP Brasil observa que as distribuidoras tendem ainda a ter um alívio com o empréstimo que está sendo negociado pelo BNDES em conjunto com um ‘pool’ de bancos, a chamada “Conta Covid”. “O auxílio vem com custo mais baixo e com uma maturidade de dívida mais longa, hoje não conseguimos esses prazos no mercado”.

Setas salienta que a companhia ainda tenta reverter os efeitos da crise sobre o Ebitda e o cronograma do ano, mas já está de olho em oportunidades que surgiram, como no mercado secundário. Segundo ele, a movimentação nesse mercado vem sobretudo de empresas menores, que estão com o caixa pressionado. Além disso, não descarta a participação da companhia num eventual leilão de transmissão no fim do ano, embora reconheça que os últimos certames têm atraído muito competição, o que reduz os retornos dos projetos.

A EDP Brasil mantém a aposta de crescimento por meio dos segmentos de transmissão, distribuição e novos negócios, como a geração solar e a mobilidade elétrica. Nesse contexto, Setas afirma que a companhia não estuda entrar no setor de saneamento, que também compõe o pacote de “utilities” e tem atraído a atenção de uma série de investidores após a aprovação do novo marco legal. “Há muito a fazer no setor de energia, com a migração para o smart grid e a ‘agenda verde’ que vem ganhando força”.

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