03 ago 2020

Eletrobras prevê dobrar investimentos, se privatizada

Estatal elétrica divulgou, no fim da tarde de sábado, seu novo plano estratégico para os
próximos quinze anos, prevendo investimentos de R$ 6 bilhões ao
ano até 2035

Fonte.: Valor Econômico / Por André Ramalho — Do Rio

A Eletrobras prevê investir cerca de R$ 6 bilhões por ano até 2035,
mas acredita que pode dobrar esse montante, se for privatizada. A estatal elétrica anunciou um novo plano estratégico para os próximos quinze anos com diferentes cenários
de negócios e com perspectivas de investimentos de R$ 12,6 bilhões anuais, caso a capitalização da empresa avance.

A expectativa do governo é aprovar, no segundo semestre, o projeto de lei que autoriza a
desestatização da Eletrobras. O Ministério de Minas e Energia mantém conversas com o
Congresso sobre alguns pontos do PL. Essencialmente, a proposta é que seja feita uma chamada de capital, com aporte somente de acionistas privados. Assim, a participação estatal na companhia cairia dos atuais 60% para algo próximo de 40%.

O plano 2020-2035 da Eletrobras, divulgado no sábado, prevê investimentos de R$ 95,3
bilhões em geração e transmissão, num cenário em que a empresa não é capitalizada. Num segundo cenário, em que a estatal é privatizada e ela consegue fechar novos contratos para venda da energia de suas hidrelétricas em condições melhores, pelo processo de “descotização”, a previsão é investir R$ 201,9 bilhões. Em ambas projeções, a companhia destaca que a disciplina financeira seria mantida e a alavancagem, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), permaneceria abaixo de 2,5 vezes.

Até 2024, a previsão é investir R$ 32,5 bilhões, incluindo a conclusão da construção da usina de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Sem contar o projeto nuclear, são esperados R$ 18,5 bilhões.

Dentre as diretrizes previstas no plano estratégico, a Eletrobras quer consolidar a sua liderança em geração e transmissão. No caso do setor de geração, o foco está em energias limpas, mas também em oportunidades em térmicas a gás. Além disso, a empresa buscará
alcançar a liderança também no segmento de comercialização.

A Eletrobras destaca, no plano, que o desafio, no momento, é elevar a capacidade de investimento e criar mais valor para os acionistas. A empresa lembra que, na década de
2010, viu a sua saúde financeira ser abalada pelos impactos da MP 579/2012 – que prorrogou as concessões, à época, sob novas condições de remuneração. Com isso, a
companhia perdeu participação de mercado, com poucas participações em leilões, e gerou menos resultados para os seus acionistas.

O plano da Eletrobras também faz considerações sobre os impactos da pandemia da covid-19, dentre os quais a redução de “magnitude ainda incerta” da demanda de energia – o que pode levar ao adiamento de novos leilões e atrasos nos investimentos atuais. A Eletrobras também cita uma potencial postergação da discussão sobre o projeto de lei de modernização do setor elétrico e do processo de capitalização da estatal. “Porém, a
capitalização pode ser um caminho para recuperação pós-crise, tendo em vista a necessidade de investimento em infraestrutura para retomada do crescimento econômico
no país”, defende.

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