19 nov 2020

Guedes defende venda da Eletrobras, mas diz que acordo no Congresso trava privatizações

Ministro admitiu que a venda de estatais não avançou e, sem citar nomes, atribuiu a demora a um acerto de centro-esquerda contra desestatizações

Fonte.: Valor Econômico / Lu Aiko Otta e Mariana Ribeiro — De Brasília

Num momento em que o Amapá sofre com o apagão elétrico, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que é preciso privatizar a Eletrobras. Ele admitiu que a venda de estatais não avançou e, sem citar nomes, atribuiu a demora a um acordo de centroesquerda no Congresso contra privatizações. “Além de problemas também nossos, de fazer uma opção decisiva pelas privatizações.”

Nos bastidores, a queixa do governo é que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) teria feito um acordo com a esquerda para barrar a privatização da Eletrobras, em troca de apoio para a eleição de seu candidato à presidência da casa. Mas o clima no Senado tampouco é favorável à operação.

“Temos que desentupir esse canal”, afirmou. Os votos recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro foram para implementar um programa de governo que tem nas privatizações

um eixo importante, ressaltou.

Guedes disse que tem sido criticado, “com justiça”, por não ter vendido empresas estatais até agora.

“Em governos tucanos, lá atrás, privatizações também foram feitas no terceiro ano”, disse. “Critiquei bastante, como estou sendo criticado hoje.”

Ele ponderou que, apesar disso, houve uma “enxurrada” de reformas, com o leilão de excedentes da cessão onerosa, o acordo Mercosul-União Europeia e a reforma da Previdência.

Foi também implementada uma mudança no mix de política econômica que propiciou a queda na taxa de juros. Nos quatro anos deste governo, a economia chegará a R$ 400 bilhões.

Neste ano atípico, o governo gastou 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para combater os efeitos da pandemia. Mas em 2021 voltará à trilha do equilíbrio e da contenção, segundo o ministro. Ele criticou propostas de elevar investimentos com recursos públicos e afirmou que essa opção leva à estagnação econômica e ao desemprego em massa. O ministro voltou a defender o teto de gastos e as reformas do pacto federativo. Reafirmou ainda que o governo não elevará impostos.

Ao fim do ano, ele estima que a perda de empregos formais será próxima a um terço da observada em 2015 e 2016, disse. Ele avaliou que a estratégia do governo de combate aos efeitos da pandemia foi bem sucedida.

Em 2021, o crescimento deve ser entre 3% e 4%, mas pode surpreender para mais, disse. “A boa notícia é que Brasil está voltando, pandemia está descendo, vacina está chegando.” O desafio é transformar essa recuperação em uma retomada sustentada.

Guedes pontuou que alguns vetores já estão lançados, como o aumento das exportações para a Ásia. Ele afirmou que é preciso conectar o Brasil à região, que é um

eixo de grande crescimento.

Nos próximos dois ou três meses devem entrar no país cerca de US$ 3 bilhões em recursos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco do Brics, informou. “O banco foi fundado em 2016, tínhamos tomado apenas US$ 700 milhões. Nos próximos dois, três meses, temos US$ 3 bilhões para entrar para investimento, para ajudar no coronavírus, para investimentos em infraestrutura.” As declarações do ministro da Economia foram feitas durante a Premiação Melhores e Maiores 2020, da revista “Exame”.

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