03 dez 2020

Brasil mantém relevância no cenário global de energia, diz Siemens

Fonte.:   Canal MegaWhat / Rodrigo Polito

O Brasil continuará sendo um ator relevante no cenário global de investimentos em energia nos próximos anos, de acordo com a opinião de André Clark, general manager da Siemens Energy Brasil. Segundo ele, o baixo patamar da taxa básica de juros e as novas oportunidades em energia elétrica e petróleo e gás natural vão atrair investidores nacionais e estrangeiros.

“O Brasil continua sendo profundamente robusto no negócio de energia. Com a taxa de juros baixa, os investidores estão aceitando muito bem entrarem [no setor de energia] através do mercado de capitais. Há muito capital empreendedor, muitos negócios em [energia] solar, eólica, em transmissão [de energia] e em petróleo. O Brasil continua atraindo muito capital doméstico e do exterior nessa direção”, afirmou Clark, em entrevista exclusiva à MegaWhat.

Multinacional de origem alemã especializada em produção de tecnologias com foco nas áreas de eletrificação, automação e digitalização, a Siemens Energy possui faturamento da ordem de 28,8 bilhões de euros, de acordo com dados de 2019. Com atuação em mais de 200 países, a empresa está presente no Brasil há mais de 170 anos.

Para Clark, no Brasil, o ano de 2020 foi bom no setor de energia como um todo . A expectativa, segundo ele, é que o próximo ano seja ainda melhor.

“No setor de energia, em especial energia elétrica, foi um bom ano. O Brasil não parou nenhum projeto. Já vinha uma onda de investimentos muito alta. Então, foi um excelente ano. Esperamos que 2021 seja melhor. Vai ser um ano ainda mais interessante, com projetos importantes de novas FPSOs [sigla em inglês para plataformas de produção e armazenamento de óleo e gás] na rua sendo cotadas e contínuo investimento em petróleo, energia elétrica e renováveis”, destacou.

O executivo também olha com especial atenção para a indústria de gás natural do país, que deverá passar por um processo de abertura, com a esperada aprovação do novo modelo regulatório para o setor no Congresso. “Isso gera uma outra onda, uma outra cadeia de valor, que é a cadeia do gás”, disse. “Se há tecnologias competitivas e gás disponível, vários projetos passam a ser possíveis. Vamos ver nos próximos anos uma transformação importante por causa da questão do gás no Brasil”.

Segurança cibernética

O executivo participou na terça-feira, 1 de dezembro, de painel sobre segurança cibernética e gestão de dados, durante a Rio Oil & Gas, principal evento do setor petrolífero do país, cuja edição deste ano está sendo realizada por meio eletrônico. Segundo ele, a pandemia de covid-19 acelerou o processo de digitalização das empresas, aumentando o risco com relação a ataques cibernéticos.

“A covid mostrou que a digitalização é um negócio essencial para a sobrevivência das empresas. Não é só a procura de produtividade. É também sobre resiliência. A questão da digitalização deixou de ser um assunto do departamento de TI [Tecnologia da Informação] e subiu para nível de board [conselho das empresas]”, afirmou Clark. “Ninguém faz digitalização porque é bonito. Faz digitalização porque é profundamente necessário, ou reduz custo, ou reduz carbono via redução de [consumo de] energia, ou reduz [custo de] manutenção”.

Segundo ele, a intensificação do processo de digitalização, aliado ao esperado leilão do 5G, ampliará o interesse por ataques de grupos organizados de hackers.

“O 5G não é sobre o celular. É sobre tudo. Sobre fábricas, máquinas, carros, plataformas, linhas de transmissão, transformadores, subestações”, afirmou. “Ao estarmos mais digitalizados, abrem-se as grandes oportunidades de ataque”. Nesse cenário, explicou Clark, o setor de energia se torna uma infraestrutura crítica, por atrair mais interesse de ataques cibernéticos, pelo potencial de danos à comunidade.

Para combater esse tipo de ataques, o presidente da Siemens no Brasil defendeu uma aliança entre o setor acadêmico, as empresas privadas e as forças de segurança dos países. “Configura-se aí uma oportunidade de união entre a ciência, tecnologia, inovação, da proteção do Estado e da iniciativa privada organizada”.

Segundo Clark, o grupo tem feito pesados investimentos na área de segurança cibernética. “É uma área em franco crescimento [na empresa]. Ela torna a transição digital dos nossos clientes mais segura”. Um dos exemplos de investimentos da companhia no segmento é o desenvolvimento de softwares especializados que navegam nas redes dos clientes e procuram constantemente por vulnerabilidades. Em seguida são produzidos relatórios e recomendações de segurança aos clientes.

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