09 jul 2020

Com novos donos, Argo mira aquisições e leilão

Transmissora prevê concluir todos os projetos da carteira até 2021

Fonte.: Valor Econômico / Rodrigo Polito — Do Rio

Próxima de concluir a construção de seus primeiros projetos de transmissão no Brasil, a Argo Energia planeja agora uma segunda onda de crescimento no país. Vendida pela Pátria Investimentos à colombiana Energía de Bogotá e à espanhola Red Eléctrica, por R$ 3,5 bilhões, no fim do ano passado, a empresa mira oportunidades de aquisições no setor e o próximo leilão de transmissão, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende realizar no fim do ano.

“Já estamos prontos para cumprir uma segunda onda de crescimento. Estamos abertos para avaliar oportunidades no mercado secundário e também iremos participar do próximo leilão que está indicado para acontecer em dezembro”, afirmou ao Valor o presidente da Argo Energia, José Aloíse Ragone, experiente executivo do setor elétrico e ex-presidente da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa).

A companhia possui hoje três ativos de transmissão, que totalizam cerca de 1,5 mil km de linhas e receita anual permitida (RAP) de R$ 610 milhões. Desses, o maior deles – uma linha de transmissão de 1.150 km, em 500 quilovolts (kV), quatro novas subestações e a ampliação de uma existente – está em operação desde o ano passado, garantindo uma receita anual da ordem de R$ 500 milhões.

Os outros dois projetos – a ampliação da subestação Janaúba 3 (MG) e uma linha de transmissão de 320 km, em 230 kV, com cinco subestações em Rondônia – estão previstos para entrar em operação ao longo deste ano. Com relação à linha de transmissão em Rondônia, a operação do empreendimento se dá de forma escalonada. A expectativa, no entanto, é que até o início de 2021 todos os projetos já estejam em operação.

Em paralelo, a empresa trabalha na melhoria da estrutura de capital dos projetos. Na prática, a ideia é buscar oportunidades no mercado financeiro para aperfeiçoar o perfil da dívida dos empreendimentos, baseados hoje em debêntures de infraestrutura e empréstimos do BNDES. “Vamos olhar as dívidas que temos hoje contraídas e olhar para o mercado e buscar soluções que possam trazer algum benefício”, explicou o executivo.

Sobre futuras aquisições de ativos, o objetivo da Argo é olhar oportunidades disponíveis no mercado secundário – concessões de transmissão já leiloadas pela Aneel. Trata-se, em geral, de projetos desenvolvidos por empresas de engenharia, que não têm interesse de manter o ativo após a construção, ou fundos de investimentos de curto prazo, que também não pretendem ficar com essas concessões em suas carteiras. “Vamos olhar tudo de forma seletiva, buscando projetos que venham agregar valor à Argo”, disse Ragone.

Para o leilão de transmissão, a companhia pretende estudar todos os ativos que serão ofertados. “Já estamos trabalhando na nossa preparação para esse leilão. Naturalmente, estamos olhando para o leilão como um todo e a estratégia final é desenvolvida ao longo do processo. Mas estamos olhando, sim, e vamos participar”, completou o executivo.

Com relação aos acionistas da Argo, Ragone contou que a empresa foi eleita para ser o veículo de investimentos da Energía de Bogotá e da Red Eléctrica no Brasil. Segundo ele, os dois investidores, que possuem 50% da companhia, cada um, possuem visão de longo prazo.

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