12 ago 2020

EDP planeja crescer em transmissão via leilões e aquisições

Distribuidora e geradora acaba de concluir lote de duas linhas no Maranhão, projeto no qual investiu R$ 182 milhões

Fonte.: Valor Econômico / Letícia Fucuchima — De São Paulo

Depois de um período de cautela devido à pandemia, a EDP Brasil voltou a estudar novas oportunidades de crescimento no setor de transmissão de energia. A companhia, que acabou de concluir as obras de um lote no Maranhão, está com estudos avançados para participar do leilão marcado para dezembro. Em paralelo, também avalia ativos no mercado secundário.

“Vamos sim [participar do leilão], como fizemos no passado. A condição é, obviamente, o equilíbrio econômico-financeiro para fazer isso. Estamos com estudos avançados, é a nossa meta para o fim do ano”, disse ao Valor Luiz Otávio Henriques, vice-presidente de Geração e Comercialização, área da EDP que também cuida dos projetos de transmissão.

O executivo não revela quais lotes estão no radar, mas afirma que a companhia está trabalhando em “algo de calibre”. Ele observa ainda que a estratégia é entrar em projetos que tenham sinergias com as operações atuais ou que permitam a criação de um novo ‘cluster’, como é caso dos empreendimentos no Maranhão.

Marcado para 17 de dezembro, o próximo leilão de transmissão oferece ao mercado 11 lotes, que somam 1,9 mil quilômetros de novas linhas e 6.420 megavolt-ampères (MVA) em capacidade de transformação. Os projetos estão espalhados por nove estados (AM, BA, CE, ES, GO, MS, MG, RS e SP), sendo que Rio Grande do Sul e São Paulo concentram o maior número de novas instalações. Estão previstos investimentos totais de R$ 7,4 bilhões e geração de 15,4 mil empregos diretos.

Na visão de Henriques, o certame deve se mostrar competitivo, repetindo a história vista nas últimas licitações do tipo. Entretanto, ele observa que as condições econômicas atuais – oscilação do dólar, impactos no mercado de fabricantes e a crise gerada pela pandemia – podem afastar investidores com maior aversão a risco. “Mas ainda é prematuro dizer que isso será suficiente para diminuir o número de participantes”.

Além da EDP, a ISA Cteep também já declarou que deve estar presente na licitação.

Com o pior momento da crise superado, a elétrica também voltou a estudar negócios no mercado secundário. Em maio, a companhia anunciou um plano de reforço de caixa que envolveu, entre outras iniciativas, a postergação de uma compra de ativos de transmissão. “Estamos soltando as amarras que fomos obrigados a fazer. Hoje, já podemos pensar em aquisição, leilão”, afirma Henriques.

Ontem, a companhia anunciou a conclusão do Lote 11, no Maranhão, com 12 meses de antecedência ante o prazo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foram R$ 182 milhões em investimentos em duas linhas de transmissão, com 203 quilômetros, e na ampliação de subestações. Com a conclusão, a Receita Anual Permitida (RAP) do projeto passa a ser de R$ 32,8 milhões, resultando em receita antecipada de aproximadamente R$ 42,7 milhões.

A EDP Brasil tem ainda quatro projetos de transmissão em desenvolvimento, nos estados do Maranhão, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os próximos empreendimentos na fila para conclusão têm maior porte – juntos, os lotes de SP/MG e SC somam mais de 860 quilômetros de linhas – e estão previstos para 2021.

No período de 2017-2022, a elétrica tem o plano de investir R$ 3,8 bilhões em obras e projetos de transmissão. Desse total, foram executados R$ 2,7 bilhões, com todos os equipamentos já comprados. “Antes da pandemia, tínhamos feito o financiamento e a reserva de capital próprio para todos os lotes. Já estávamos capitalizados para a construção, não tivemos nenhum problema de ordem financeira”, estaca o executivo da EDP.

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