10 nov 2020

Controle acionário da transmissora responsável foi transferido este ano

Prestadora do serviço até então, Isolux apresentou problemas e está em recuperação judicial no Brasil e na Espanha

Fonte. : Valor Econômico / Letícia Fucuchima — De São Paulo

Responsável pelos equipamentos que foram alvo de incêndio no Amapá, a transmissora de energia Linhas de Macapá (LMTE) passou a ser controlada neste ano pela Gemini Energy, holding que tem por trás as gestoras Starboard Partners e Perfin.

Originalmente o ativo era administrado e controlado pela Isolux Energia e Participações,

braço da espanhola Isolux Corsán.

Especializado nas áreas de construção, engenharia e concessões de infraestrutura, o grupo espanhol chegou a atuar em mais de 40 países e virar referência no setor de energia, mas mergulhou em dificuldades financeiras e, desde 2016, vinha tentando se desfazer de ativos. A crise fez com a empresa pedisse recuperação judicial na Espanha e também no Brasil.

No mercado brasileiro, a Isolux tem um histórico problemático em transmissão de energia. A companhia não entregou uma série de projetos vencidos em leilões do governo, vários deles na região da Amazônia.

Entre as empreitadas fracassadas, estava uma das linhas que reforçariam o escoamento da energia produzida pela usina hidrelétrica Belo Monte, no Pará.

A Gemini assumiu neste ano a transmissora de Macapá e outros dois ativos da Isolux, a Linhas de Xingu e a Linhas de Taubaté. No caso da LMTE, a holding detém 85,04% do ativo – a participação da Starboard se dá pelo fundo Power Fip, e a da Perfin, pelo fundo Apollo 14 Fip. A fatia restante é da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia

(Sudam), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, cuja participação se dá pela conversão de seis parcelas de debêntures em ações.

Em nota à imprensa, a Gemini afirmou que desde janeiro vem concentrando esforços em “estabilizar e reforçar a operação dos ativos”. “A empresa teve seus processos revisados e aprimorados com a participação de prestadores de serviço de primeira linha,

conduzidas por consultorias reconhecidas no mercado, como KPMG, Lunarti, Grupo Energia, Oracle e Deloitte. Também contribuiu com programas sociais em conjunto com o BNDES e Unicef para combater a covid-19, além de ações específicas no Amapá”.

A crise no Amapá teve início na noite de terça-feira da semana passada, quando um incêndio atingiu os transformadores de uma subestação da LMTE. Um transformador foi completamente avariado, enquanto outro foi parcialmente danificado. Havia ainda um terceiro transformador reserva, em manutenção.

O incidente comprometeu o suprimento de energia de praticamente todas as cidades do Estado, criando uma situação de calamidade pública. Até ontem, o fornecimento não havia sido totalmente restabelecido. Segundo a Gemini, o retorno da carga estava próximo de 80%.

Durante o fim de semana, a Justiça Federal deu o prazo de três dias para que haja a “completa solução” do problema no Amapá. A decisão, assinada pelo juiz plantonista João Bosco Soares da Silva, atendeu a um pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede),

que é do Estado.

O juiz acionou tanto a responsável pelos equipamentos, quanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Eletronorte, que deveriam comprovar a fiscalização regular do contrato com a empresa privada.

A Aneel informou que enviará à Justiça as respostas sobre a fiscalização do contrato dentro do prazo solicitado, de cinco dias.

Também disse já está adotando todas as providências para apurar as responsabilidades dos atores envolvidos.

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