20 abr 2021

Falta empenho para privatizar Eletrobras, diz economista

Petrobras está madura para “seguir seu caminho enquanto ente privado”, defende Luiz Chrysostomo

Fonte.: Valor Econômico / Por Juliana Schincariol — Do Rio

A privatização da Eletrobras é urgente mas ainda encontra entraves como a falta de determinação do Poder Executivo, na visão do economista Luiz Chrysostomo, que participou da Live do Valor na sexta-feira.

Para ele, o papel dos bancos públicos federais tende a se reduzir no futuro. E, do ponto de vista empresarial, a Petrobras tem maturidade para ser privatizada.

“A Eletrobras vive hoje sua ‘não privatização’ e é um processo com dois grandes culpados. Uma é falta de determinação do [Poder] Executivo”, diz. A segunda causa seria a necessidade de apoio do Congresso. Ele lembra que no processo de privatização da Vale havia interesses políticos na área de operações da mineradora, o que foi desmontado pela privatização.

Para ele, a privatização da Eletrobras é urgente, mas Chrysostomo diz que ficou mais cético quanto a isso nas últimas semanas.

Mesmo assim, sua expectativa é que o processo ocorra até o início de 2022 – prazo em linha com o que tem sido divulgado por governo e BNDES. Na visão dele, o mais importante é fazer a transferência do controle da empresa do que a discussão sobre o modelo de privatização a ser utilizado.

“A Eletrobras é uma empresa endividada, tem desafios imensos com suas geradoras e é necessário um fluxo de investimentos grotesco.

A urgência é não inventar mais nada”, diz.

Chrysostomo atuou no BNDES, no início de 1990, na construção do Programa Nacional de Desestatização (PND), e foi o coordenador da privatização da Telebras em 1998. Atualmente, é sócio da Dominion Capital e diretor da Anbima e do IEPE/Casa das Garças.

Ele também acredita que o papel dos bancos estatais federais está se modificando, como aconteceu, no passado, com outros setores. São os casos de siderurgia e telecomunicações, que foram privatizados nos 1990. Prova disso é o movimento atual dos dois maiores bancos: a Caixa está em processo de venda de ativos e o Banco do Brasil estuda parcerias. “No futuro, a participação dos bancos deve se concentrar em determinados segmentos, não necessariamente acabar ou serem vendidos”.

Chrysostomo também defende com veemência a privatização da Petrobras. O economista afirma que a estatal “definitivamente” é uma empresa que pode ser privatizada e não deixará ter relevância nacional nem de cumprir obrigações perante órgãos reguladores.

A companhia, disse, é madura, listada em bolsa e evoluiu em termos de governança, mas ainda assim sofre influência política, como mostram os episódios recentes. “Do ponto de vista empresarial, a Petrobras está madura para seguir seu caminho enquanto ente privado”, defende.

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